As eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais, deputados estaduais e distritais estão batento às portas da população, que vai às urnas em 2 de outubro deste ano. E o cenário eleitoral brasileiro encontra-se dividido entre os candidatos Luís Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, ocupando dois polos ideológicos claramente distintos..
Este ano, as duas mais importantes peças do jogo político para a não reeleição de Bolsonaro são os jovens e as mulheres. Entre eleitores de 16 a 29 anos, de acordo com pesquisas do DataFolha, Bolsonaro tem rejeição de 67%.
Outro fator importante determinante para os resultados deste ano é que o eleitorado brasileiro em 2022 é 6,21% maior do que em 2018. A base que mais cresceu foi exatamente entre pessoas de 16 e 17 anos, que são aptas mas não obrigadas a votar. Atualmente, 2,1 milhões de jovens podem participar das eleições, ante 1,4 milhão de títulos válidos nesta faixa etária em 2018.
Essa mudança pode ser sido causada pelo movimento recente de instituições públicas e da sociedade civil, que reforçou a importância do voto entre os jovens. Por exemplo, em 2021 a Secretaria de Comunicação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) criou uma campanha que tinha como foco o engajamento do eleitorado jovem — a partir de 16 anos. A campanha teve cobertura nacional e utilizou-se de diferentes meios de comunicação, como emissoras de televisão e rádios de todo o país.
Com o slogan “Bora Votar. Eu vou porque eu posso”, a campanha visava estimular esses jovens ao entendimento da política como ferramenta para o bem-estar social. A campanha é um claro exemplo de uma política pública apoiada na comunicação para solucionar uma lacuna social: a da baixa adesão cívica nessa faixa etária em apoio a um processo elementar da democracia.
Outro grupo importante na conjuntura política dessas eleições é o das mulheres. De acordo com o DataFolha, apenas 23% do eleitorado feminino afirmava votar novamente em Bolsonaro. A resistência pode ter variadas razões, como manifestações do atual presidente sobre as mulheres e seu papel na sociedade, mas também podem ser derivadas de políticas públicas pouco contundentes para a afirmação feminina no mercado de trabalho, na luta contra a violência doméstica e outras demandas urgentes.
As políticas públicas, além da comunicação dos candidatos, podem ser um grande fator de convencimento da população. Em 2021, o atual mandatário chegou a sancionar a criação do Programa de Proteção e Promoção da Saúde Menstrual (Lei 14.214), de autoria da deputada federal Marília Arraes (PT-PE). Logo após, Bolsonaro vetou a distribuição gratuita de absorventes femininos para mulheres de baixa renda. Porém, no Dia das Mulheres em 2022, assinou outra portaria que regulamentou a distribuição de itens de higiene para mulheres em situação de pobreza menstrual.
O movimento de vai-e-vém do presidente provou-se incoerente com seu histórico e comprovou-se como uma tentativa de aproximar-se de um dos públicos que o repudia em que enfrenta alta rejeição.
Espera-se que o resultado das eleições em 2 de outubro de 2022 defina não apenas a liderança no Execuvtivo e no Legislativo (Federal e Estaduais), mas que seja um novo impulso para a discussão e a implementação de políticas em grupos subrepresentados na política. A direção e a performance das políticas públicas se comprovam como um claro definidor da escolha eleitoral, como deve ser em um regime democrático.
Neste período eleitoral, reforçamos a importância do voto consciente para a criação de um Brasil mais igualitário. Isso só acontecerá por meio da estabilização de ações e processos jurídicos-institucionais, de maneira transparente e dialogada com a sociedade.
