O impacto das políticas públicas de saúde: Outubro Rosa e a saúde da mulher

Criado na década de 1990, o Outubro Rosa é a maior campanha de abrangência nacional que atua no combate ao Câncer de Mama. Com o slogan “Eu cuido da minha saúde todos os dias. E você?”, o programa visa conscientizar sobre o autocuidado e a realização de exames de rotina, que identificam a doença ainda no estágio inicial. 

O movimento teve início na Corrida da Cura, em Nova York (EUA), ocasião em que a Fundação Susan G. Komen for the Cure distribuiu laços cor-de-rosa para os participantes do evento esportivo. O gesto criou uma onda de fomento ao combate ao câncer de mama entre instituições privadas e públicas.

É importante ressaltar a ação governamental neste caso. Existe um aparato institucional que apoia a realização do Outubro Rosa. Em 2018, foi promulgada a Lei nº 13.733, que institui outubro como o mês de conscientização sobre o câncer de mama. A lei prevê a iluminação de prédios públicos com luzes de cor rosa e promoção de palestras, eventos e atividades educativas.

Com a participação de instituições públicas e privadas, um dos objetivos é a promoção de informações sobre a doença. Quanto maior o público informado, mais mulheres podem descobrir a doença em um estágio precoce e, assim, diminuir os índices de mortalidade. Pois, segundo o Instituto Oncoguia, esse tipo de câncer tem 95% de chances de cura, se descoberto precocemente. 

A campanha tem ampla adoção por diferentes atores da rede de apoio, já que o câncer de mama é o tipo mais recorrente entre as mulheres. Foi estimado que, ao redor do mundo, mais de 2 milhões de novos casos foram descobertos em 2020. Mundialmente, a taxa de mortalidade era de 14,23 para cada 100 mil pessoas. Já aqui no Brasil, 66.280 casos foram registrados em 2021. A doença ocupa a primeira posição em mortalidade por câncer entre mulheres. 

Uma das principais ferramentas de enfrentamento do câncer de mama é a realização da mamografia – serviço oferecido gratuitamente no SUS. Neste caso, a principal questão é fazer com que informações sobre esses serviços cheguem aos mais diversos grupos sociais e, de fato, dispor nacionalmente os equipamentos e as equipes técnicas responsáveis pelo diagnóstico.

Segundo a diretora de Atenção e Vigilância em Saúde, Maria Goretti David Lopes, a redução no número de casos pode chegar a até 30% com a prevenção e bons hábitos. Para atingir esse objetivo, anualmente, redes como o Instituto Nacional do Câncer (INCA), do Ministério da Saúde, realizam amplas campanhas de divulgação de cartilhas informativas digitais. 

Ressalta-se ainda a importância do jornalismo e da mídia como canal entre instituições e o cidadão. Muitos canais e plataformas promovem pautas e diferentes conteúdos sobre o Outubro Rosa. Assim, uma maior parcela do público é atingida e os resultados propostos por essas políticas públicas ganham a escala necessária.