Eleições brasileiras e o grande número de votos nulos, brancos a abstenções

As decisões para o próximo Presidente da República e governadores dos estados foram tomadas no último domingo, dia 30 de outubro. Comemorar e valorizar o voto faz parte de reconhecer a democracia como essencial para a sustentação de uma sociedade livre. 

Porém, o movimento dos votos nulos e brancos e o número de brasileiros que abstiveram de votar ainda é grande. De acordo do Tribual Superior Eleitoral (TSE), no segundo turno das eleições de 2022, do total dos 156.454.011 eleitores que podem votar, 123.682.372 compareceram às urnas, número equivalente a 79,05%. Os votos nulos corresponderam a 3,16% do total de votos. Já os votos em branco representaram 1,43% do total. 

Os dados apontam que 32.162.183 brasileiros abstiveram de exercerem o papel mais importante da democracia brasileira. Esse cenário pode relacionar-se à diversas causas, a falta de confiança nos candidatos que participam da disputa à não valorização do poder individual do voto. 

Como forma de fomentar uma maior participação do cidadão na democracia brasileira, instituições públicas e privadas lançaram campanhas para estimular os leitores à voltarem. 

Em 2018, a empresa de fastfood Burger King realizou uma famosa campanha gravada nas ruas de São Paulo. Pessoas entrevistas eram questionadas se votariam em branco, quando afirmavam que pretendiam sim votar em branco, elas recebiam um hambúrguer feito apenas de pão, cebola e maionese. O foco da campanha era reforçar a ideia de que quando outra pessoa escolhe por você não se pode reclamar do resultado. 

Outra campanha relevante foi a lançada pela Justiça Eleitoral também em 2018. Ela alertava que, ao não votar, impactos negativos são gerados no processo eleitoral. O argumento girava em torno de que votos nulos, brancos e a abstenção contribuiuam para a escolha de governantes e legisladores com pouca legitimidade e sem representatividade. 

Ambas campanhas colocam o cidadão como protagonista e reforçam que cada voto importa para a manutenção da democracia brasileira. Ressalta-se que se a maioria da população de votos nulos e branco não geram o cancelamento de uma eleição. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Constituição e o Código Eleitoral esses tipos de votos são inválidos e não impactam na contabilização final dos votos, servindo apenas para estatísticas eleitorais. 

Após a finalização do período eleitoral reforçamos a necessidade da participação ativa do cidadão no debate público. Isso acontece desde a pesquisa sobre planos de governos ao não compartilhamento de informações falsas nas redes. Não podemos negar o quanto as notícias falsas podem influenciar os eleitores na hora da decisão sobre votar ou abster.

Vamos juntos na construção de um país mais justo e em que todas as mais de 200 milhões de vozes brasileiras sejam ouvidas e que cada vez mais representantes legítimos sejam elegidos.