De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura, lançada pelo Instituto Pró Livro, apenas 52% dos brasileiros são considerados leitores, ou seja, leram, inteiro ou em partes, pelo menos 1 livro nos 3 meses anteriores à pesquisa ser realizada. O resultado é de 2020, mas continua sendo considerado um quadro atual.
A porcentagem é tímida e reflete o escasso incentivo à leitura no Brasil. Uma das explicações para esse número é o preço dos livros, ainda considerado alto para a imensa maioria da população brasileira. A conturbada dinâmica de estudos e trabalho, especialmente nas grandes metrópoles, é outro impeditivo para a leitura mais assídua no país. Muitas vezes, o livro é considerado um artigo de luxo restrito às classes elitizadas.
Um dado que reflete isso é o da redução de 4,6 milhões no número de leitores no Brasil entre os anos de 2016 e 2019. Outro fator que construiu esse triste cenário foi a extinção do Ministério da Cultura e a Diretoria do Livro e Leitura, que foi rebaixada a apenas um Departamento no governo Bolsonaro. O panorama atual é reflexo de uma gestão pública que vê a cultura como uma banalidade e não como um direito do cidadão.
No passado, quais foram os avanços realizados para fomentar a leitura no Brasil? Além do acesso às bibliotecas públicas, projetos como o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) foram grandes aliados no fomento à leitura no Brasil. O projeto facilitou o acesso de jovens de escolha pública à literatura, por meio da avaliação e oferta de obras didáticas, pedagógicas e literárias à rede pública de ensino.
Obras como o clássico Tristão e Isolda e A Máquina de Tempo (H.G. Wells) fizeram parte do catálogo do programa que é um dos maiores programas de distribuição de livros do mundo.
Outro projeto importante que tenta democratizar o acesso à leitura é o Programa Nacional de Incentivo à Leitura (PROLER). Foi criado em 1992 pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN), do Ministério da Cultura. Ele divide-se em ações realizadas na Casa da Leitura, no Rio de Janeiro, como cursos, palestras, exposições, oficinas e seminários. Outro braço do projeto são as ações executadas por Comitês regionais, que promovem campanhas em favor da leitura e da promoção de políticas públicas locais de estímulo à leitura.
De acordo com o Centro Regional para o Fomento do Livro na América Latina e o Caribe (CERLALC) e a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), no relatório Agenda de políticas públicas para a leitura, os governos (municipais, estaduais e federal) precisam tratar a leitura e a escrita como poderosas ferramentas pró-democracia. É a partir dessas duas habilidades que crianças e jovens podem desenvolver sua jornada social e acadêmica de forma autônoma. Assim como afirmado por Paulo Freire, o processo educativo não é neutro e é neste cenário que a leitura tem um papel essencial na formação de agentes autônomos.
Para saber mais sobre a Agenda de políticas públicas para a leitura (CERLALC e OEI), acesse: https://bit.ly/3WgWIsB
