Com início marcado para 6 de novembro de 2022, a COP-27 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) acontecerá em Sharm El-Sheikh, cidade litorânea e paraíso natural do Egito.
Criada na ECO-92, a COP teve sua primeira edição em Berlim, Alemanha, em 1995. O principal objetivo da reunião é a discussão sobre a atuação dos países no combate às mudanças climáticas, além de inovações e descobertas científicas sobre o tema.
Um dos grandes assuntos de todas as COPs é o protocolo de Kyoto, acordo criado na terceira edição da reunião, no Japão. Com o principal objetivo de reduzir a emissão de gases do efeito estufa, o acordo passou a valer em 2005. Em 2015, foi substituído pelo Acordo de Paris, que tem como meta manter o aumento da temperatura do planeta abaixo dos 2 ºC.
Um das atenções da COP-27 será o Brasil, alvo de fortes críticas da comunidade internacional devido ao desmatamento ilegal, que é o principal motor da emissão de gases de efeito estufa (GEE) do país. Durante a COP-26 o Brasil assumiu o compromisso de mitigar em 50% as emissões de GEE até 2030. Vale ressaltar que o compromisso é insuficiente para o alcance do objetivo de manter o aumento da temperatura do planeta em até 1,5°C, comparado aos níveis pré-industriais. Pesa contra as relações diplomáticas brasileiras nesse campo o fato de a atuação política ser incoerente com os compromissos firmados.
Mesmo com tecnologia e estratégias de monitoramento para conter a desflorestação, o governo não mostra grandes avanços na mobilização em direção às metas do Acordo de Paris. Na realidade, as ações do atual governo federal do Brasil são muito mais ligadas a acordos com setores econômicos (como o agronegócio e a mineração) do que de fato às iniciativas de preservação ambiental. De acordo com o estudo “Desmatamento zero na Amazônia: como e por que chegar lá”, realizado pela ONG Greenpeace, o argumento frequentemente usado pelo agronegócio brasileiro em defesa de seus resultados produtivos como “celeiro do mundo” já não faz sentido. Os indicadores apresentados no levantamento apontam que o PIB do setor na região amazônica cresce mesmo com o desmatamento em queda.
Segundo o relatório, um dos caminhos de sucesso para alcançar o desmatamento zero na Amazônia é o da aplicação contínua de políticas públicas ambientais, especialmente com o reforço à fiscalização ambiental e à criação de Unidades de Conservação.
É esperado que a COP-27 paute aspectos como financiamento climático, compensação por perdas e danos ambientais e adaptação climática. Em especial, a presidência do evento deste anoo apontou que o foco das discussões será na implementação das ações que vêm sendo propostas nos últimos anos, de modo a “mobilizar esforços coletivos para reduções ambicioas de emissões de diferentes setores”.
A um mês para seu início, a COP-27 também deverá pautar o tom para o próximo governo brasileiro em sua agenda ambiental e climática. As decisões do próximo mandatário da República deverão estar no centro das atenções da comunidade internacional. O mesmo deve ocorrer com governadores de estados, que podem ser reeleitos ou trocados no próximo dia 2 de outubro ou em novembro, na votação em segundo turno. Muitos dos atuais governantes já estiveram na COP-26, ao lado de grandes corporações brasileiras, assumindo compromissos que abrangem políticas fiscais e outras formas de incentivos à produção de energia limpa. Agora será a hora de demonstrar efetivamente o que fizeram e como vão cumprir suas promessas.
