O governo federal investiu R$ 19 bilhões em ciência e tecnologia em 2009. Mas esse valor foi reduzido para 17 bilhões em 2021, já considerando a correção desses números pela inflação acumulada no período. O sucateamento de setores-chave para o desenvolvimento do Brasil, como a ciência e a tecnologia, foi uma das principais ações do governo de Jair Messias Bolsonaro.
Outro acontecimento que corroborou para minar a importância da ciência enquanto política pública brasileira foi a retenção de parte do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). O bloqueio foi proibido pelo Congresso, mas mesmo assim, impediu a adição de aproximadamente R$ 2,7 bilhões no setor.
Além disso, o atraso no pagamento das bolsas de estudantes de iniciação científica, mestrados, doutorados e pós-doutorados foi um dos últimos ataques do governo Bolsonaro à educação e desenvolvimento científico no Brasil. A falta de pagamento aconteceu devido ao corte de R$ 1,7 bilhão no orçamento do Ministério da Educação, feito pelo governo. Mesmo que o órgão tenha prometido regularizar os pagamentos dos mais de 200 mil bolsistas, o fato reforça, mais uma vez, o descaso com a ciência.
A retomada para um governo que apoie o desenvolvimento científico e tecnológico é essencial para o país. Um dos programas exemplares de promoção à qualificação de estudantes e cientistas foi o Ciência sem Fronteiras, criado em 2011 e extinto em 2017, que utilizava recursos do orçamento do CNPq e de Fundos Setoriais para promover intercâmbios internacionais.
Além disso, as próprias bolsas de pesquisas CNPq e Capes têm um papel importante ao apoiar o desenvolvimento de estudiosos brasileiros. Elas contribuem para a retenção de jovens cientistas no Brasil, evitando a chamada fuga de cérebros e remunerando sua produção.
Agora, nos resta aguardar as medidas que serão adotadas pela próxima gestão do presidente eleito, Luís Inácio Lula da Silva. A integração entre atores públicos e privados para a promoção da ciência e da inovação pode ser uma saída para as limitações de orçamentos federais e para o fomento ao desenvolvimento tecnológico do país.
Até a próxima!
